IA aplicada à investigação da biodiversidade estuarina
Como combinámos investigação científica, estruturação de dados e inteligência artificial para estudar ecossistemas estuarinos e preparar atividades de observação no terreno.
Projeto interno de investigação aplicada, desenvolvido pela equipa BigLearn sobre a biodiversidade de um grande estuário português. Não há cliente, e não publicamos conclusões científicas — o que está aqui é o método, as ferramentas e as decisões. As atividades de observação no terreno estão em preparação.
Como pode a IA apoiar a investigação científica?
Pode localizar e avaliar literatura, organizar e classificar dados, estruturar bases de dados, tratar registos geográficos e fotográficos, identificar padrões e preparar relatórios. Acelera o trabalho preparatório — que é a maior parte do tempo de qualquer investigação — sem substituir o método científico, a observação no terreno nem a validação por quem sabe.
O que foi feito
Partindo de um projeto sobre a biodiversidade de um grande estuário português, explorámos onde é que a inteligência artificial acrescenta e onde é que não deve entrar. Em concreto, usámos IA para:
- localizar e avaliar literatura científica sobre ecossistemas estuarinos;
- comparar o estuário com outros, do Reino Unido ao Norte de África;
- investigar riqueza, abundância e distribuição de espécies;
- analisar as diferentes definições de hotspot de biodiversidade;
- estruturar uma metodologia de recolha e classificação;
- organizar espécies por filo, grupo taxonómico e habitat;
- criar uma base de dados para espécies, coordenadas, datas, projetos e fotografias;
- preparar análises por local, por período e por tipo de habitat;
- relacionar registos fotográficos com informação ecológica;
- preparar futuras atividades de observação e investigação no rio.
A definição escolhida determina o resultado
Não há uma definição única de hotspot de biodiversidade. Umas assentam em riqueza de espécies, outras em endemismos, outras em grau de ameaça ou em raridade. O mesmo estuário pode ser hotspot por um critério e não ser por outro.
Explicitar qual o critério — e porquê — é parte do trabalho científico, não um detalhe de rodapé. É também onde uma ferramenta de IA usada sem cuidado produz uma resposta confiante e errada: a pergunta «isto é um hotspot?» não tem resposta sem a pergunta anterior.
Porque comparar estuários de latitudes diferentes
Um estuário isolado não diz se os seus números são altos ou baixos. Comparar com estuários do Reino Unido e do Norte de África dá contexto à riqueza e à distribuição observadas, e ajuda a distinguir o que é característico daquele local do que é característico do tipo de ecossistema.
Uma base de dados, não uma lista
Registos de biodiversidade só valem se forem comparáveis. A estrutura liga espécie, coordenadas, data, projeto e registo fotográfico, e organiza as espécies por filo, grupo taxonómico e habitat — para que seja possível analisar depois por local, por período e por tipo de habitat.
É o mesmo princípio que aplicámos na auditoria de dados na saúde: antes de qualquer análise vem a pergunta de saber se os dados aguentam a análise.
Três dimensões, e é a ligação entre elas que interessa
A parte que não se faz ao computador
A BigLearn mantém uma ligação prática ao rio, incluindo uma embarcação num grande rio português que pode apoiar atividades de observação, recolha de informação, sensibilização ambiental e investigação aplicada.
É a componente física da mesma capacidade: a possibilidade de sair do ambiente digital e usar o rio como espaço de observação, experimentação e aprendizagem aplicada. As atividades estão em preparação, e a estrutura de dados foi desenhada para receber o que de lá vier.
Usamos IA para acelerar a investigação, preservando o método científico, a observação no terreno e a validação por especialistas.
Onde isto se aplica fora da biodiversidade
O mesmo conjunto — revisão e avaliação de literatura, organização e classificação de dados, identificação de padrões e hipóteses, criação de bases de dados científicas, tratamento de registos geográficos e fotográficos, preparação de metodologias e protocolos, produção de relatórios e visualizações, monitorização ambiental e divulgação científica — aplica-se a qualquer projeto de investigação com trabalho documental e de campo.
Perguntas frequentes
Como pode a inteligência artificial apoiar a investigação científica?
Pode localizar e avaliar literatura, organizar e classificar dados, estruturar bases de dados, tratar registos geográficos e fotográficos, identificar padrões e preparar relatórios e visualizações. Acelera o trabalho preparatório; não substitui o método científico, a observação no terreno nem a validação por quem sabe.
A IA substitui a observação no terreno?
Não. Uma espécie que ninguém foi ver continua por confirmar, por muito bem estruturada que esteja a base de dados. A IA prepara a saída de campo — que locais, que períodos, que habitats — e organiza o que de lá volta. O registo continua a exigir presença.
O que é um hotspot de biodiversidade e porque é que a definição importa?
Não há uma definição única: umas assentam em riqueza de espécies, outras em endemismos, outras em ameaça ou em raridade. A definição escolhida determina o resultado — o mesmo estuário pode ser hotspot por um critério e não por outro. Explicitar o critério é parte do trabalho, e não um detalhe.
Como se estrutura uma base de dados de biodiversidade?
Ligando espécie, coordenadas, data, projeto e registo fotográfico numa estrutura que permita depois analisar por local, por período e por tipo de habitat. A organização por filo, grupo taxonómico e habitat é o que torna os registos comparáveis em vez de serem uma lista.
Porque comparar estuários de países diferentes?
Porque um estuário isolado não diz se os seus números são altos ou baixos. Comparar com estuários de latitudes diferentes — do Reino Unido ao Norte de África — dá contexto à riqueza e à distribuição observadas, e ajuda a distinguir o que é característico do local do que é característico do tipo de ecossistema.
A IA pode avaliar a qualidade de literatura científica?
Pode ajudar a localizar, resumir e organizar, e a sinalizar o que merece leitura atenta. A avaliação de qualidade — metodologia, dimensão da amostra, conflitos de interesse, se as conclusões decorrem dos dados — continua a ser trabalho humano, e é onde o erro sai caro.
Que papel tem uma embarcação num projeto de investigação com IA?
É a parte que não se faz ao computador. Uma embarcação num grande rio português permite sair do ambiente digital para observação, recolha de informação, documentação visual e sensibilização ambiental — e é o que liga a análise de dados ao ecossistema real.
Quem fez este projeto
A BigLearn é uma empresa portuguesa de consultoria em inteligência artificial, fundada em 2017 e sediada em Lisboa. Este é um projeto interno da equipa, e não um trabalho para cliente.
Aplicamos inteligência artificial a projetos de investigação, combinando conhecimento científico, análise de dados, pesquisa documental e atividades no terreno. Ver também consultoria de IA e prova de conceito.
Os outros casos de estudo estão publicados com a mesma regra: cliente anonimizado, números verificáveis, e a natureza do documento dita à cabeça.
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