Separação entre instruções e conteúdo
As regras permanentes do sistema não são misturadas com emails, documentos ou texto recuperado. O conteúdo externo é delimitado e classificado como dados a analisar, nunca como novas instruções a obedecer.
O modelo pode interpretar uma intenção. Não deve decidir sozinho se tem autorização para a executar.
Este não é o relato de uma única instalação. É um caso técnico transversal que reúne padrões aplicados pela BigLearn em soluções para seguros, saúde, Administração Pública, hotelaria e comércio: assistentes baseados em conhecimento, tratamento de reclamações, canais com dados sensíveis, fluxos de encomendas e agentes ligados a processos internos.
Os clientes estão anonimizados e não publicamos métricas de incidentes que não possam ser demonstradas. O resultado verificável é a arquitetura: onde termina a linguagem, onde começa a autorização, que dados podem circular e em que ponto uma pessoa tem obrigatoriamente de decidir.
Um modelo de linguagem é útil porque aceita entradas ambíguas: um email, uma reclamação, uma pergunta comercial ou um documento. Essa mesma flexibilidade cria a superfície de ataque. O conteúdo recebido pode incluir instruções hostis; um documento recuperado pode estar desatualizado ou contaminado; e uma resposta plausível pode continuar factualmente errada.
A decisão de arquitetura foi tratar entrada, contexto recuperado e saída do modelo como dados não confiáveis. O modelo interpreta e propõe. Componentes determinísticos verificam identidade, autorização, esquema, limites e estado do processo antes de qualquer ação.
Em cada fluxo começámos por identificar ativos, fronteiras de confiança e efeitos possíveis. Os ativos não eram apenas bases de dados: incluíam instruções do sistema, documentos internos, identidade dos utilizadores, credenciais de integração, histórico de conversas e a própria capacidade de enviar, alterar ou classificar informação.
O cenário adversarial incluía prompt injection direta e indireta, fuga de contexto, acesso entre clientes, abuso de ferramentas, parâmetros manipulados, respostas sem fonte, repetição de pedidos, excesso de dados nos logs e escalada indevida de privilégios. Isto muda a pergunta de «o modelo responde bem?» para «o que acontece quando responde mal?».
Canal, sessão, autenticação, limites de utilização e validação inicial.
Fontes permitidas, filtradas pelas permissões antes de chegarem ao modelo.
Produz resposta ou intenção estruturada; não recebe credenciais nem autoridade direta.
Esquema, autorização, regras de negócio, risco e necessidade de confirmação.
Uma função limitada executa, regista o resultado ou encaminha para uma pessoa.
As regras permanentes do sistema não são misturadas com emails, documentos ou texto recuperado. O conteúdo externo é delimitado e classificado como dados a analisar, nunca como novas instruções a obedecer.
Quando a IA identifica uma categoria, morada, produto ou ação, devolve campos estruturados. Tipos, formatos, valores permitidos e campos obrigatórios são validados fora do modelo; texto livre não é convertido diretamente numa operação.
O agente só vê as operações necessárias ao caso. Consultar não implica alterar; preparar não implica enviar. Cada ferramenta tem parâmetros estreitos e uma identidade técnica com privilégios mínimos.
A pesquisa semântica não contorna permissões. O universo documental é filtrado antes da recuperação, as fontes acompanham a resposta e a ausência de evidência produz abstenção ou encaminhamento — não invenção.
Responder a horários é diferente de alterar um pedido, encaminhar uma denúncia ou produzir uma decisão com efeitos numa pessoa. As ações são classificadas por risco e as de maior impacto ficam pendentes de confirmação humana.
Registam-se versões, fontes, chamadas de ferramentas, autorizações, erros e correlação entre etapas. O conteúdo integral e os dados pessoais não são registados por defeito: finalidade, acesso e retenção têm de ser explícitos.
Uma instrução como «ignora as regras anteriores» é o exemplo mais simples. O problema real é indireto: a instrução pode estar num PDF, numa página consultada pelo agente ou num email que parece uma reclamação legítima. Tentar reconhecer todas as frases perigosas é uma defesa útil, mas incompleta.
A defesa eficaz reduz o impacto possível: o documento não redefine a política; o modelo não conhece segredos; as ferramentas são limitadas; os argumentos são validados; uma operação sensível exige autorização independente. Assim, mesmo quando uma tentativa passa pela camada linguística, encontra uma fronteira técnica que não fala «linguagem de prompt».
Nas soluções baseadas em conhecimento, a recuperação é condicionada pela identidade e pelo contexto do pedido. A filtragem acontece antes de os excertos serem enviados ao modelo. Isto evita que o modelo receba informação à qual o utilizador não tinha acesso e tente depois «esquecê-la» na resposta — uma proteção que seria demasiado tarde.
O conhecimento empresarial fica separado do modelo. Pode ser atualizado, versionado e retirado sem treinar novamente o sistema. Quando não existe fonte suficiente, a resposta correta pode ser não responder, pedir contexto adicional ou entregar o caso a uma pessoa.
Seguros: o assistente consulta conhecimento aprovado, recolhe dados progressivamente e entrega parâmetros a um processo determinístico. O cálculo pertence ao motor de negócio; o modelo não inventa prémios nem toma uma decisão de subscrição.
Saúde e canais sensíveis: a IA pode organizar um relato e extrair informação útil, mas não decide sobre pessoas. Acesso, conservação e encaminhamento são definidos pelo processo, e a decisão final permanece humana.
Administração Pública: emails e reclamações são entradas não confiáveis. A solução separa o texto original dos campos extraídos, classifica e georreferencia, mantém rastreabilidade e propõe o serviço competente sem transformar a sugestão do modelo numa decisão administrativa.
Hotelaria e comércio: horários e informação pública podem ser respondidos com baixa fricção; encomendas, alterações de estado e dados de hóspedes passam por validação, controlo de acesso e registo. A liberdade conversacional não se transforma em liberdade operacional.
O principal resultado foi uma forma consistente de construir: inventário de ativos e dados, classificação de ações por impacto, fronteiras de confiança explícitas, recuperação autorizada, ferramentas pequenas, saída validada, intervenção humana e evidência operacional suficiente para investigar um erro. Estes padrões reduzem o trabalho de segurança em novos projetos sem presumir que dois setores têm o mesmo risco.
Segurança by design não significa prometer risco zero. Significa saber o que o sistema pode fazer, reduzir o raio de impacto quando falha e conseguir reconstruir o que aconteceu. Num agente de IA, essa honestidade arquitetural vale mais do que um prompt que promete obedecer.
Porque interpreta linguagem não confiável e produz resultados probabilísticos. Uma instrução pode chegar misturada com documentos, emails ou páginas externas. Por isso, o modelo não recebe autoridade direta: autenticação, autorização, validação e execução ficam em componentes determinísticos fora do modelo.
Separam-se instruções do sistema, dados do utilizador e conteúdo recuperado; marca-se conteúdo externo como não confiável; limita-se o conjunto de ferramentas; validam-se parâmetros antes da execução; e exige-se confirmação humana nas ações de maior impacto. Um filtro de texto, sozinho, não é uma fronteira de segurança.
Não. O RAG melhora a fundamentação, mas não transforma o modelo numa base de dados determinística. É necessário controlar as fontes, aplicar permissões antes da recuperação, apresentar proveniência e impedir que uma resposta não suportada execute automaticamente uma ação de negócio.
Não deve. O modelo propõe uma intenção estruturada; uma camada de orquestração valida o esquema, a identidade, a autorização e os limites de cada operação. Só depois uma função com privilégios mínimos executa a ação permitida.
Identificador de correlação, versão do fluxo e das instruções, fontes consultadas, ferramentas pedidas, decisão de autorização, tempos, erros e passagem para humano. Dados pessoais e conteúdo integral das conversas só devem ser registados quando existe finalidade e prazo de conservação definidos.
O nível depende do risco. Uma resposta sobre horários pode ser automática; uma denúncia, decisão com efeitos numa pessoa, alteração financeira ou escrita num sistema crítico exige controlo adicional, confirmação ou decisão humana. A arquitetura deve tornar essa fronteira explícita.
A BigLearn é uma empresa portuguesa de consultoria em inteligência artificial, fundada em 2017 e sediada em Lisboa.
Este caso reúne decisões de arquitetura aplicadas em vários projetos e provas de conceito. Não representa uma única implantação nem atribui a um cliente controlos usados noutro. A tipificação é deliberadamente transversal e os clientes permanecem anonimizados.
Os outros casos de estudo descrevem os processos de negócio em que alguns destes padrões foram aplicados.